Débora, a profetisa e juíza

Das atividades que mais amo fazer é estudar a Palavra de Deus, a Bíblia. Uma das histórias ali registradas, da qual me proponho a falar aqui, é a da profetisa e juíza Débora. Sua história é relatada no Livro de Juízes, nos capítulos 4 e 5, do Antigo Testamento. Pelos registros nesses capítulos, vê-se que ela foi uma mulher de muitas qualidades, destacando-se a sua sabedoria, coragem, firmeza, inteligência, gentileza e humildade. Exerceu, com maestria, as funções de profetisa e juíza. Seu esposo chamava-se Lapidote, que era da tribo de Efraim.
Nos livros bíblicos de Números 12:6, Amós 3:7 e Lucas 1:70, está escrito que os profetas são pessoas escolhidas por Deus para levar suas mensagens a outros. Nas escrituras estão registrados homens e mulheres que exerceram esse nobre ministério. Além de Débora, um bom número de mulheres desempenhou o papel de profetisa, entre elas: Miriã (Êxodo 15:20); Hulda (2 Reis 22:11-20) e Ana (Lucas 2:36-38).
Os juízes foram instituídos por Deus, após a morte de Josué (Juízes 2:16). Eles foram guerreiros que libertaram os israelitas do domínio inimigo, bem como direcionaram o povo a adorar somente ao SENHOR. Houve juízes antes e depois de Débora. Ela foi a única mulher, citada na Bíblia, que teve a posição de juíza.
Otoniel, Eúde e Sangar antecederam Débora como juízes. O povo, após a morte de Eúde, voltou a fazer o que era mau, por isso permitiu o SENHOR que os israelitas fossem subjugados durante vinte anos, por Jabim, Rei de Canaã (Juízes 4:1-3). O comandante do exército de Jabim chamava-se Sísera. Segundo a própria Débora registra em seu cântico de agradecimento a Deus, os israelitas estavam vivenciando um caos: as caravanas cessaram, os viajantes tomavam desvios tortuosos. As aldeias ficaram desertas em Israel. A guerra estava às portas. O sofrimento fez com que os israelitas clamassem ao SENHOR, que os ouviu. Deus providenciou de forma maravilhosa o livramento do seu povo (Juízes 5).
Débora mandou chamar Baraque, comandante do exército de Israel, dizendo-lhe que Deus já havia dado ordem para que ele fosse até o exército inimigo. Baraque teve medo. Falou que iria à batalha se Débora o acompanhasse. Ela falou que iria com ele, mas o alertou que a honra da vitória não seria dele, e, sim, de uma mulher.
Fortalecido, o general Baraque foi a guerra com seu exército. Débora o acompanhou como profetisa. Em Juízes 4:15-17 lemos que O SENHOR derrotou a Sísera, a todos os seus carros, e a todo o seu exército a fio de espada, diante de Baraque. Sísera fugiu a pé, indo se esconder na tenda de Jael, mulher de Héber, que corajosamente e dissimuladamente o matou. Débora em seu cântico, diz que Jael era bendita entre as mulheres que viviam em tendas. Essa recebeu a honra predita por Débora.
Mãe ama, protege, orienta, ensina, disciplina, direciona e guia seus filhos para lugares e posições corretas. Débora fez esse papel em Israel, não se conformando com a situação vivenciada por seu povo. Em seu cântico registrado em Juízes 5: 7, ela diz: ... até que eu, Débora, me levantei, levantei-me por mãe em Israel.
Hoje, muito se requer que haja transparência e justiça no serviço público. Débora, em seu tempo, já as praticava. Ela atendia as pessoas debaixo da palmeira de Débora, entre Ramá e Betel. Ouvia as partes em litígio e dava o seu veredito. A transparência e a justiça devem ser exercidas por todos e em qualquer situação.
Após a vitória de Israel contra o exército cananeu, Débora viveu mais quarenta anos, período em que os israelitas viveram em paz. Esse registro é muito importante, por demonstrar que Débora, como juíza e profetisa, foi fiel aos decretos divinos.
Enfim, por tudo aqui registrado, podemos afirmar que Débora, sem dúvida, foi uma mulher extraordinária.
RIBEIRO, Kátia Colares. Débora, a profetisa e juíza. In: PORTUGAL, Dyandreia Valverde (Org.). Coletânea Mulheres Extraordinárias: O resgate histórico do legado, pela palavra escrita. Coordenação de Grupo de Estudo por Ana Maria Tourinho. Rio de Janeiro: Editora Rede Sem Fronteiras; Lisboa: Letras Graciosas Editora, 2025. v. 4, p. 345-347.






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