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OS SEGREDOS DO PAI-NOSSO | AUGUSTO CURY

LIVROS & ESCRITORES

DEUS NÃO PROMETEU UM CAMINHO DE FLORES


Ninguém é digno do prazer de viver, se não usar suas angústias, ansiedades e aflições para irrigar a vida. Ninguém é digno das flores, se não sujar as mãos para lavrar a terra e cultivá-la. A existência tem curvas imprevisíveis, perdas inesperadas, choques fora do plano que traçamos.


Quando olhamos para o relacionamento que Jesus tinha com seus discípulos, verificamos que ele os testava constantemente. Era capaz de enviá-los sem suporte financeiro e sem alimentos para uma terra estranha. Orientava-os a experimentar o vale do medo e a construir segurança mesmo quando o mundo desabava sobre eles. Corria risco de ser morto por proteger uma prostituta sem nenhuma religiosidade aparente e queria que seus discípulos aprendessem a amá-la independentemente de seus comportamentos. Para espanto deles, o Mestre não tinha medo de expressar seus pensamentos em lugares onde se recomendava a prudência.


A oração do Pai-Nosso é uma síntese complexa do que Jesus viveu e ensinou. O Deus dessa oração não prometeu caminhos sem obstáculos, oceanos sem tormentas. Mas prometeu o pão cotidiano em cada travessia, força na angústia, coragem nas incompreensões e paciência nas perdas.


Deus não prometeu uma existência sem desertos, mas ensinou que há um oásis nos escombros das dores. Não prometeu campos de flores, mas ensinou, através de Jesus, que há dignidade nos vales dos temores e esperança nos abismos das derrotas. Ensinou que a vida deve ser homenageada a cada momento como um espetáculo único.


BIBLIOTECA RAIMUNDO COLARES RIBEIRO

Transcrito do livro OS SEGREDOS DO PAI-NOSSO, de Augusto Cury, Sextante, Rio de Janeiro – RJ, 2006, páginas 76 e 77.

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